CAPÍTULO VIII – O QUE DISSE O DESEMBARGADOR JOSÉ DI LORENZO SERPA PARA IMPEDIR MARÍLIA DE CONTINUAR SOFRENDO
Ele disse: “... em uma cognição sumária, não exauriente, verifico que a ausência da citação da autora, na ação de anulação de partilha, pode, em tese, acarretar a nulidade ab initio do feito.”
APERTANDO A TECLA SAP: O Desembargador disse: É melhor parar tudo até o Tribunal de Justiça olhar se ANA foi ou não citada na ação que anulou aquela partilha feita no divorcio fraudulento.
Para olhar isso, bastava, no mesmo caderno processual, voltar para a folha 97 para observar que ANA havia sido citada, mas o Magistrado desde o dia 15 de setembro de 2010, talvez por problemas de visão, não conseguiu, ainda, verificar.
Eu queria dizer que este é o último capítulo da Novela Marília, mas não posso. É angustiante. É um desabafo. Sendo operadora do direito, me vejo diariamente obrigada a entrar no site do Tribunal de Justiça da Paraíba e me provoca náuseas as autopromoções de celeridade da Justiça Paraiba.
“Câmaras do TJ retomam atividades de plenário e apreciam 48 processos nas sessões desta 5ª feira (3)” QUANTOS DEIXARAM DE SER APRECIADOS?
“Câmara Criminal do TJ julga 238 processos durante o mês de Outubro” QUANTOS MIL DEIXARAM DE SER?
Marília ler aquelas meias verdades que são propagadas por jornais locais e cobra a solução dos seus problemas. Ela era um bebê quando tudo começou, hoje ela tem 19 anos. Mesmo com todos esse tempo de luta contra o poder da influência, Marília continua estudando na Escola Pública José Lins do Rego e cursa o segundo ano do segundo grau.
Cronologicamente, apesar de bastante inteligente e esforçada, Marília está atrasada. É que nem sempre teve como ir a escola, nem sempre conseguiu iniciar o ano letivo, nunca teve a oportunidade de ter regularidade.
A indignação, ou melhor, o ressentimento de Marília, não é direcionado a MIRIAM ARAUJO GAMA, MAURICIO ARAUJO GAMA, ERLI CABRAL JUNIOR ou a menos culpada, quem sabe até inocente, ANA. A indignação é direcionada ao poder judiciário, aos excessos de recursos permitidos pelo legislativo e ao volume de trabalho atribuído aos julgadores, que para suprir a demanda, muitas vezes, fazem leituras mais do que dinâmicas, as vezes se valem de resumos de assessores, e sentenciam a vida, a sobrevida e a morte de muitos. Aí a culpa é do executivo que não procura preencher as vagas necessárias para o andamento regular.
Já a minha indignação é contra os poderes e as pessoas.
Porque a consciência, o amor ao próximo, o respeito, a honestidade e as demais premissas para a formação de um bom caráter não são julgadas, legisladas e independem do um poder para executa-las.
sábado, 5 de novembro de 2011
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